sexta-feira, 20 de junho de 2014

Jaime Cimenti

Os primeiros 100 anos de Lupicínio Rodrigues

Lupicínio Rodrigues completa os primeiros 100 anos em 19 de setembro de 2014, mas as comemorações já começaram. Em alto estilo, como ele merece. O espetáculo Lupi, o musical - uma vida em estado de paixão, teve as duas primeiras apresentações, com grande sucesso, no Theatro São Pedro. O antigo e lendário Bar Adelaides, que ficava no Centro da cidade, foi “remontado” no Moinhos Shopping.

Terças e quintas-feiras, de 24 de junho a 24 de julho, saraus apresentarão bate-papos e músicas de um dos compositores brasileiros mais originais e imortais. O tempo, a música, Deus, o infinito, o amor, o desamor, a vida, a alegria e a tristeza estão na obra do autor de Acaso você chegasse, considerada uma das dez melhores canções brasileiras. O amor e a música são as coisas mais próximas de Deus. Lupi se foi cedo, aos 59 anos, em 1974, sabendo muito bem disso.

Quarenta anos depois, é lembrado, tocado e cantado em boa parte dos bares, restaurantes, rodas de samba e encontros musicais de nosso Brasil. É muito. É para pouquíssimos. O menino pobre da Ilhota, que nasceu para a música, teve várias profissões, muitos amores e desamores e não precisou sair de Porto Alegre para ganhar o País.

Deixou farto material para os biógrafos, incontáveis amigos e boas histórias para a posteridade. Lupinho, o filho, é o guardião amoroso do tesouro musical. Mas, acima e antes de tudo, Lupi deixou 600 canções, sendo que 150 gravadas, muitas com sucesso nacional, por artistas consagrados como Jamelão, Linda Batista, Elis Regina, Lourdes Rodrigues, Thedy Corrêa, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e muitos outros. Em 1932, Noel Rosa, em Porto Alegre, disse que o garoto era bom, iria longe. Não deu outra.

Todos que amaram, desamaram, foram traídos e desamados ou que ainda vão amar e desamar podem se encontrar nos versos profundos e tocantes das canções de Lupi. Infelizmente, na vida real, nem sempre o amor vence no final, como deveria ser, mas é preciso amar, viver, cantar o amor e a desilusão, ver o sol nascer a cada manhã e a lua brilhar de novo quando anoitece.


Sempre foi assim. Sempre vai ser. Se os primeiros 100 anos de Lupi foram assim, imaginem os próximos. O tempo é amigo da boa arte. A música é maior e mais importante do que os músicos, assim como a poesia é maior do que os poetas. Feliz primeiros cem, eterno, querido boêmio, agora ainda mais próximo e íntimo das estrelas e do infinito.