
07 de setembro
de 2013 | N° 17546
NO DIVÃ | LISANDRA
PIONER
QUE FILHOS DEIXAREMOS PARA O
BRASIL?
Vivemos no país do
futebol, do Carnaval, dos políticos corruptos (infelizmente) e, cada
vez mais, do egocentrismo. Não é à toa que escolhi esse tema.
Hoje, dia em que comemoramos a Independência do Brasil, me questiono
sobre que seres humanos estamos ajudando a formar e que ocuparão
todos os espaços do nosso país.
Temos o hábito de
reclamar dos acontecimentos, de dizer que o país não tem jeito, que
quem está no poder não presta e que todas as pessoas são passíveis
de serem corrompidas pelo dinheiro, mas esquecemos que o adulto de
hoje foi uma criança em algum momento de sua trajetória.
Em que momento a
criança inocente se torna um adulto inescrupuloso? Que curva errada
essa criança pegou e se transformou em um adulto egoísta e
egocêntrico?
Pois eu diria que,
desde que nasceu e aprendeu a solicitar algum tipo de atenção, seja
para mamar, ser tirado do berço ou ter o olhar do cuidador, a
criança está se transformando no adulto que será futuramente – e
quem é mãe sabe que o “futuramente” chega num piscar de olhos!
Desde bebê, quando
aquele pequeno ser é atendido em absolutamente todas as suas
necessidades, sem que lhes permitam um espaço para desejar algo; ou
quando, um pouco mais crescido, se recusa a emprestar sua boneca para
uma amiguinha e tem sua atitude respaldada por um “é o jeito dela!
Muito apegada aos seus brinquedos!”; ou quando mente a idade no
cinema, respondendo à solicitação dos pais, para pagar meia
entrada; ou fura a fila na cantina na escola e conta a todos,
concluindo que passou na frente dos “babacas”; ou quando percebe
que recebeu um troco errado e não devolve; enfim... são pequenos
recortes do cotidiano que passam pelo olhar permissivo de pais
cansados e culpados. E são esses pequenos fatos que influenciam na
formação do caráter.
Penso que um jovem que
hoje paga para uma quadrilha auxiliá-lo a passar no vestibular de
forma fraudulenta não começou a errar nesse exato momento. Ou um
que é capaz de colocar fogo em um mendigo. Ou um que bebe e sai
dirigindo em alta velocidade. Ou um homem que desvia milhões dos
cofres públicos para sua própria conta bancária.
Todos esses casos que
ouvimos exaustivamente nos noticiários não tiveram origem em uma
terça-feira despretensiosa, às três da tarde. Isso tudo se
originou em anos e anos de pequenos detalhes do dia a dia, onde
adulto algum sinalizou o erro e o fez ser consertado.
Passamos do
autoritarismo descabido para a licenciosidade, e nessa transição
muitos valores se perderam. É hora de resgatar a solidariedade, a
honestidade, a generosidade da vivência em sociedade. Perceber que o
seus atos influenciam direta ou indiretamente a vida de muitas
pessoas, começa lá na obrigação de fazer a tarefa de casa
diariamente, de jogar o lixo na lixeira, de não furar a fila, de
organizar a sua bagunça, de devolver o troco dado a mais, de dividir
os brinquedos.
Eduquemos nossos filhos
e estaremos contribuindo muito para a transformação desse país!