sexta-feira, 17 de julho de 2015


Jaime Cimenti


Dois irmãos e uma tragédia

Eu te darei o sol (Editora Novo Conceito, 384 páginas, R$ 34,90), da escritora, agente literária, poetisa e acadêmica eterna Jandy Nelson, formada pelas universidades de Brown, Cornell e Vermont, foi um dos livros mais premiados de 2014 e deste ano nos Estados Unidos. Entre as 10 láureas, constam o Prêmio Micheal L. Printz 2015 e a indicação para a lista dos notáveis do The New York Times de 2014. A autora, atualmente, vive em São Francisco, gosta de correr livremente pelo parque, de cuidar de árvores e é também autora do best-seller O céu está em todo lugar.

Eu te darei o sol é, em síntese, a singular, improvável e ardente história de dois irmãos inseparáveis cujas vidas são dilaceradas por uma tragédia. Jude e seu irmão gêmeo, Noah, são inseparáveis, até uma tragédia mudar isso. Depois do acontecimento, eles mal se falam e estão apaixonados por pessoas que não poderiam amar. O amor mostra-se bem complicado, e Noah e Jude são gêmeos absolutamente diferentes que se completam e enfrentam o mundo juntos.

O romance vai muito além de ser apenas uma ótima obra de ficção Young adult, pela força da narrativa, das palavras e pela própria premiação que recebeu. A narrativa de tirar o fôlego inicia com uma luta entre Noah e dois sociopatas que reinam na vizinhança.

Aos 13 anos, o solitário Noah é um gênio da arte que desenha sem parar. Em silêncio, está se apaixonando pelo vizinho carismático. Enquanto isso, a espevitada Jude segue em busca de adrenalina e de batons chamativos. Ela fala por si e pelo irmão. Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separam definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.

Os primeiros anos da história são contados por Noah, os últimos ficam por conta de Jude. O que os gêmeos não percebem é que cada um deles sabe apenas a metade do que aconteceu. Se eles pudessem voltar um para o outro, teriam a chance de refazer o seu mundo.

A narrativa mostra que as pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar. A história vai revelando os caminhos distintos que os gêmeos trilham, mesmo vivendo no mesmo espaço, e mostra os dolorosos dilemas que as pessoas não têm coragem de revelar a ninguém.

A narrativa abre espaço também para a capacidade da arte de curar, mas ensina a aprofundar o significado da arte, a encontrar nossos próprios reflexos dentro dela.