segunda-feira, 15 de janeiro de 2018



15 DE JANEIRO DE 2018
OPINIÃO DA RBS

QUANDO O ESTADO FUNCIONA


As políticas gaúchas de saúde pública, no que diz respeito à febre amarela, são mais um exemplo de que o Rio Grande do Sul precisa ser forte nas áreas em que tem legitimidade e capacidade de ação

Mesmo que seja pequeno o risco imediato de uma epidemia de febre amarela no Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Saúde tomou todas as providências cabíveis para proteger e informar a população. É um desses casos nos quais o poder público cumpre com a sua função de forma exemplar. Num país onde o susto e a urgência tantas vezes balizam as ações dos governos, o foco na prevenção merece aplauso.

Uma das principais decisões é estender a vacinação a novos 38 municípios, quase todos no Litoral. Até bem pouco, por estarem afastadas das regiões onde circulava o vírus e protegidas pelo mar, cidades como Rio Grande, Pelotas e Tramandaí não constavam da lista das áreas que necessitavam de proteção. Foram incluídas agora, dentro da salutar postura de agir antes que o problema possa aparecer.

Outra boa notícia é que, de acordo com a Secretaria da Saúde, o Rio Grande do Sul tem vacinas em número suficiente, diferentemente de São Paulo, que vem aplicando doses fracionadas e, em alguns casos, experimentando a escassez de ampolas a serem oferecidas nos postos de saúde e mesmo em clínicas particulares. A febre amarela vem causando mortes e preocupação no Sudeste.

Não há motivo para pânico ou para correria aqui no Estado. Não há casos registrados há pelo menos nove anos, graças às ações efetivas de controle e vacinação promovidas por sucessivas administrações. A cobertura da vacina atinge hoje cerca de 70% da população do Rio Grande do Sul, justamente a que vive em áreas onde a doença já foi identificada anteriormente.

As políticas gaúchas de saúde pública, no que diz respeito à febre amarela, são mais um exemplo de que o Estado precisa ser forte nas áreas em que tem legitimidade e capacidade de ação. Saúde, segurança e educação são as três principais. Quando o poder público concentra nelas esforços e recursos, os resultados são altamente positivos.

Cabe agora aos cidadãos, especialmente os que vivem ou trabalham nos 38 novos municípios listados para vacinação, buscar as doses a que têm direito. Em outras ocasiões, como na vacinação contra a gripe, muitas vezes a adesão fica aquém da necessária. O papel do governo, nesse caso, está sendo bem cumprido. É justamente quando o risco se apresenta baixo que as ações preventivas podem ser implementadas com mais eficiência e menor custo, seja ele humano ou financeiro.