
19
de novembro de 2013 | N° 17619
PAULO
SANT’ANA
Nado cachorrinho
Não
há dúvida de que algemas em presos, quando desnecessárias tecnicamente, são
infamantes, só servem para humilhar os presos.
Pois
antes dos presos do mensalão, as algemas vinham sendo empregadas. E os presos
do mensalão finalmente não foram, no entanto, algemados.
E
tudo transcorreu bem como se esperava, ninguém fugiu ou deu vexame por não ter
sido algemado. Aliás, não poderiam ter fugido os presos do mensalão, foram eles
próprios que se entregaram, não foram capturados. Não havia, portanto, a
necessidade ambiente de serem algemados.
Mas
o Fantástico informou que os presos do mensalão, ao serem transferidos para os
presídios de Brasília, quando no interior do avião, foram algemados. Disse-se
que foram algemados porque esse é um procedimento técnico da Polícia Federal. Será
que não é essa uma exigência das autoridades aeronáuticas?
Por
sinal, leio que o presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, ao prolatar
os mandados de prisão, determinou que os presos fossem tratados com “absoluta
urbanidade”. Deduz-se daí que presos algemados não são tratados com urbanidade,
isso fica bem claro. Como, aliás, escrevi antes: algemas em presos não
perigosos se constituem em prática infamante.
É raro,
mas há policiais tão arbitrários, que eles é que deveriam ser algemados quando
conduzem presos. Por sinal, assisti certa vez a um episódio dantesco: os
policiais que conduziam um grupo de presos tiveram o cuidado perverso de
algemar as duplas de presos de forma que os detidos que se odiavam fossem
presos pelas mesmas algemas.
Diz
a maldade humana que a maior perversidade foi quando prenderam entre si nas
mesma algemas um marido com sua mulher.
Mas
o companheiro Alexandre Bach lançou perante mim uma dúvida curiosíssima: podem
algemar passageiros de avião, sabendo-se que, na hipótese de queda da aeronave,
quem não estiver algemado tem muito mais chance de salvar-se do que os
grampeados?
Interessante
dúvida.
Já o
companheiro Adroaldo Guerra, chegado ao humor, disse que se caísse um avião no
mar, Deus nos livre disso, os presos do mensalão, espertíssimos e ágeis,
sairiam de pronto nadando mesmo de algemas, nado cachorrinho.