
CARLOS
HEITOR CONY
'A igreja está
caindo!'
RIO
DE JANEIRO - O jovem Francisco pertencia a uma família nobre e rica de Assis, uma
cidadezinha na Úmbria, paraíso verde da Itália. Não dava muita bola para a sua
classe, gostava de passarinhos, flores, chamava o Sol de "Irmão Sol"
e a Lua de "Irmã Lua". Era poeta e místico, gostava de rezar.
Faz
parte de sua história e de sua lenda. Estava na pequenina igreja próxima de sua
casa quando ouviu a voz do Senhor: "Francisco, a igreja está
caindo!". Apavorado, ele parou de rezar e deu o fora, ficou a certa
distância, esperando a capelinha desabar.
Foi
preciso que o Senhor se explicasse melhor. Nada contra a capela, Francisco
entendera mal o aviso, a igreja que estava caindo não era aquela capelinha, era
a igreja mesmo, como um todo, que mais uma vez atravessava uma crise daquelas.
Era
necessário que alguém consertasse as coisas, fazendo a igreja voltar a seus
valores essenciais de amor, humildade e pobreza. E não havia ninguém mais capaz
do que o jovem Francisco, que já renunciara às pompas do mundo, para recuperar
a mensagem fundamental do cristianismo.
Francisco
criou uma ordem. Para não concorrer com outras, chamou-a de Ordem dos Frades
Menores. Não quis se ordenar padre, não se julgava digno do ofício divino.
Pouco depois surgiu um companheiro, por sinal um português que se chamava
Fernando, mas mudou o nome para Antônio, que foi missionário e ficou famoso
pelos milagres que fazia -dizem que faz milagres até hoje. É doutor da igreja,
pregava aos peixes.
Francisco
nada tinha de espetacular. Era, pura e simplesmente, um santo, irmão do Sol e
da Lua. Nunca houve um papa que deu a si mesmo o nome de Francisco. O recado
que o último conclave recebeu foi bastante claro: a igreja está precisando de
alguém para consertar as coisas.