
Assim como existem pessoas que forçam amizade com a gente, também tem quem force inimizade. Eu costumo dizer que não tenho inimigos, tenho no máximo desafetos. Eu sinto raiva por um tempo, mas uma hora passa. Não que eu seja covarde ou corra de briga, eu só não tenho imunidade mesmo pra isso.
Em toda minha vida posso dizer que sinto desprezo por duas pessoas (dois homens, não são ex's), e tenho motivos de sobra para isso. Desprezo, apenas. É o máximo que eles conseguem tirar de mim. As pessoas confundem gente barulhenta com gente má. Confundem mágoa com mau-caratismo. E perseguem, e oprimem, e tentam forçar a todo custo que a gente sinta o que não quer sentir.
Eu não quero saber, eu não quero ter raiva. Não quero sugar ninguém com meus problemas, nem quero mais ser sugada. Não tenho mais disposição pra sentimento de injustiça, nem lamento mais ingratidão ou deslealdade. O que fazem por aí não é problema meu. Faz parte. Isso não é "se fazer de vítima" ou fraqueza, é amor-próprio. Ninguém merece se maltratar nem ser maltratado. Quero meu canto, meu mundo. Sem estardalhaços, sem ser notada. Estou seguindo, avançando, em paz.
Eu queria ver todo mundo cansado de guerra como estou cansada. Queria ficar sabendo que esqueceram de mim e seguiram com suas vidas. Que não me queiram mais nem para inimiga. Realizem sonhos, façam planos, sejam felizes. Que não vejam mais graça em deboche e maldade, sintam-se livres de vinganças. Me deletem (literalmente), me amassem como um papel velho e me joguem fora. E que fiquem leves.
Algumas pessoas têm que entender que até para ser negativo na vida de alguém você deve ser convidado, ou melhor, deve ser permitido que você fique. Não alimento mais sentimentos ruins nem por quem já tive afeto e me decepcionou, quem foi relevante pra mim, imagina quem nunca passou da porta do meu coração; quem nunca tocou em mim ou me ouviu chorar.
Sinto muito em desapontar, mas até para ser meu inimigo é preciso ser muito bom para isso.