quarta-feira, 12 de setembro de 2018



12 DE SETEMBRO DE 2018
+ ECONOMIA

PESQUISA AZEDA HUMOR DO MERCADO

Depois de uma segunda-feira de relativa tranquilização no mercado financeiro, pesquisas eleitorais contribuíram para que o dólar voltasse a subir ontem, interrompendo três sessões em recuo. A moeda fechou em R$ 4,154, após ter alcançadoR$ 4,177 pela manhã. Os motivos internos da alta de 1,5% foram reforçados pela acentuada queda na bolsa de valores, de 2,4%, com as ações do chamado kit eleitoral em forte baixa.

O "kit" teórico é formado por ações de estatais e costuma oscilar quando há motivos políticos pesando nas decisões de mercado. A Eletrobras perdeu 6,36%, o Banco do Brasil, 4,5%, e a Petrobras, 3,79%. Embora tenha havido pressão externa, com tensões relacionadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que determinou o humor do dia foi a reação a pesquisas eleitorais. A bolsa de Nova York, referência que costuma ser seguida, fechou em leva alta, de 0,4%.

O dólar chegou a trafegar em nível acima do recorde histórico, de R$ 4,1631, mas fechou abaixo desse teto. Na pesquisa Datafolha divulgada ontem, os candidatos que mais subiram foram os vistos com certas desconfiança por investidores e especuladores. Embora siga na liderança, o representante do PSL, Jair Bolsonaro, variou dentro a margem de erro, de 22% para 24%.

Até a oficialização do candidato do PT, Fernando Haddad, foi citada por analistas como origem do mau humor, agravada pela expectativa para saber se os dados do Ibope confirmariam o panorama traçado pelo Datafolha, de disputa embaralhada pela segunda posição. A nova Carta ao Povo Brasileiro assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pesou nessa avaliação, até por evocar documento com o mesmo nome do divulgado em junho de 2002 para chancelar seu substituto. Há 16 anos, tinha conteúdo claramente pró-mercado. No atual, fala em reforma agrária e diz ser contra privatizações.

Uma das contas da crise mais difíceis de resgatar foi feita em pela FGV Social. A área da Fundação Getulio Vargas coordenada por Marcelo Néri, um dos responsáveis pela disseminação da melhora nos indicadores do setor calculou que número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza voltou a subir no Brasil. Em 2017, depois de dois anos de recessão e um de lenta reação, 23,3 milhões de pessoas sobreviveram com menos de R$ 232 por mês. Representam 11,2% da população.

Nos últimos quatro anos, houve aumento de 33% no contingente nessa situação, conforme a FGV Social. Só em 2015, primeiro ano de recessão, a pobreza subiu 19,3%. As informações do estudo indicam a queda da renda média, derivada do aumento no desemprego, e a disseminação da desigualdade como os principais responsáveis pelo aperto. No entanto, no segundo trimestre de 2018, a renda média da população voltou a crescer. A elevação foi discreta, de 1,66% em relação ao mesmo período de 2017, mas ao menos conseguiu inverter o sinal.

A análise ainda mostrou que, entre o segundo trimestre de 2015 e igual período de 2018, a perda acumulada de renda média chega a 3,44%. Esse dado acende a esperança de que, até o final do ano, seja possível reverter o aumento da população mergulhada na extrema pobreza.Mas para desalento de Néri, o efeito do empobrecimento brasileiro é ainda mais dramática entre os jovens (-20,1% entre 15 e 19 anos e -13,94% entre 20 e 24 anos). O único consolo possível é que o percentual segue muito distante dos pior momento, com quase 30% abaixo da linha crítica. RETRATO DA CRISE

Estudo da corretora japonesa Nomura lista os países mais vulneráveis à crise cambial que já derrubou Turquia e Argentina. O Brasil está fora. Pela ordem, além dos dois já abalados, estão Sri Lanka, África do Sul, Paquistão, Egito e Ucrânia.

MARTA SFREDO