
Às vezes a gente surta, chuta o pau da barraca, joga a toalha e sai de cena. A gente desacredita, chega no limite. As pessoas querem ter seus problemas resolvidos, são imediatistas, umbiguistas e rasas. Só serve nelas, o delas é maior, melhor, e os outros que morram. Mas acredite: mesmo em meio a tanta coisa ruim, tem gente que faz lista do que é bom e acredita. Mesmo em meio a tanta maldade, existe quem ouse sonhar.
Hoje me senti patética, me senti igual. Eu já deixei passar muitas oportunidades de priorizar coisas e pessoas. Poderia ter feito mil listas de coisas que me fazem sonhar também ou que me tornam uma pessoa melhor, mas não, a gente prefere sempre dar bola pro que nos faz mal. Porque somos burros, porque a gente acha que tem poder pra tudo, inclusive de convencer os outros a odiar menos. Não dá pra forçar que enxerguem nossa humanidade, a gente não está com essa bola toda. Quem sou eu pra cobrar de alguém alguma coisa? Ninguém.
A vida seria tão mais fácil se, ao invés de tentar ganhar no grito, a gente apenas sentasse e fizesse uma lista. A vida ficaria mais leve se a gente anotasse aquelas risadas de fazer a barriga doer, aquela besteira que passamos uma semana repetindo e caindo na gargalhada (até aparecer outra melhor pra rir). Ficaria tudo menos difícil se a gente colocasse na ponta do lápis cada presente trocado, cada abraço, cada sentimento bom em vez dos problemas. Seria ótimo uma lista de lugares que queremos conhecer, os que já conhecemos e pessoas que amamos.
No áudio da minha amiga ela me pediu para que eu não deixasse de acreditar que ainda existe bondade, e, tá aí, é assim que vou começar minha lista, acreditando que um dia vai ficar tudo bem.