Paulo Coelho
O que é melhor para a gente
Evite o reumatismo
A CENTOPÉIA RESOLVEU PERGUNTAR ao sábio da floresta, um macaco, qual o melhor remédio para a dor em suas pernas. Isto é reumatismo, disse o macaco. Você tem pernas demais. Precisava ser assim como eu.
Com apenas duas, raramente o reumatismo aparece. E como faço para ter apenas duas pernas? Não me amole com detalhes, respondeu o macaco. Um sábio apenas dá o melhor conselho; você que resolva o problema.
Posso ajudar?
Assim que abriu a igreja, o padre viu uma mulher entrar, sentar-se no banco da frente e colocar a cabeça entre as mãos. Duas horas depois, reparou que a mulher ainda estava ali, na mesma posição. Preocupado, resolveu aproximar-se: Posso fazer algo para ajudar?, perguntou. Não, obrigada, respondeu ela. Eu já estava conseguindo toda a ajuda que preciso quando o senhor me interrompeu.
O jesuíta Anthony Mello comenta: num mosteiro não estava escrito Não fale. Estava escrito: Fale apenas se puder melhorar o silêncio.
Eu sei o que está certo
Um camponês voltava para casa, quando viu um jumento no campo. Não sou apenas um jumento, disse o animal. Vi o Messias nascer. Vivo há dois mil anos e estou vivo para dar este testemunho. Assustado, o camponês correu para a igreja e contou ao pároco. Impossível, disse ele.
O camponês o pegou pelas mãos e o levou até onde estava o jumento. O animal repetiu tudo o que dissera. Repito: animais não falam, disse o padre. Mas o senhor ouviu!, insistiu o camponês. Como você é tolo! Prefere acreditar num jumento que num padre!
Isso vai funcionar também conosco
Uma fábula do escritor libanês Mikail Naaimé pode ilustrar bem o perigo de seguir os métodos dos outros, por mais nobres que pareçam ser: Precisamos nos libertar da escravidão em que o homem nos mantém, disse um boi aos seus companheiros.
Durante anos, escutamos os seres humanos dizendo que a porta da liberdade está manchada com o sangue dos mártires. Vamos descobri-la e entraremos ali com a força dos nossos chifres.
Caminharam durante dias e noites pela estrada, até que viram uma porta toda manchada de sangue. Eis a porta da liberdade, disseram. Sabemos que nossos irmãos foram sacrificados aí. Um a um, os bois foram entrando. E só lá dentro, quando já era tarde demais, foi que se deram conta: era a porta do matadouro.
Decidindo o destino alheio
Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto e lhe deu água. Sou o anjo da morte e vim buscá-lo, disse o anjo. Mas, como você foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; você pode alterar o que quiser.
O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: estas pessoas não merecem coisas tão boas, pensou. De caneta em punho, começou piorar a vida de cada um.
Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trágico, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.
E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.
paulo@paulocoelho.com.br
O que é melhor para a gente
Evite o reumatismo
A CENTOPÉIA RESOLVEU PERGUNTAR ao sábio da floresta, um macaco, qual o melhor remédio para a dor em suas pernas. Isto é reumatismo, disse o macaco. Você tem pernas demais. Precisava ser assim como eu.
Com apenas duas, raramente o reumatismo aparece. E como faço para ter apenas duas pernas? Não me amole com detalhes, respondeu o macaco. Um sábio apenas dá o melhor conselho; você que resolva o problema.
Posso ajudar?
Assim que abriu a igreja, o padre viu uma mulher entrar, sentar-se no banco da frente e colocar a cabeça entre as mãos. Duas horas depois, reparou que a mulher ainda estava ali, na mesma posição. Preocupado, resolveu aproximar-se: Posso fazer algo para ajudar?, perguntou. Não, obrigada, respondeu ela. Eu já estava conseguindo toda a ajuda que preciso quando o senhor me interrompeu.
O jesuíta Anthony Mello comenta: num mosteiro não estava escrito Não fale. Estava escrito: Fale apenas se puder melhorar o silêncio.
Eu sei o que está certo
Um camponês voltava para casa, quando viu um jumento no campo. Não sou apenas um jumento, disse o animal. Vi o Messias nascer. Vivo há dois mil anos e estou vivo para dar este testemunho. Assustado, o camponês correu para a igreja e contou ao pároco. Impossível, disse ele.
O camponês o pegou pelas mãos e o levou até onde estava o jumento. O animal repetiu tudo o que dissera. Repito: animais não falam, disse o padre. Mas o senhor ouviu!, insistiu o camponês. Como você é tolo! Prefere acreditar num jumento que num padre!
Isso vai funcionar também conosco
Uma fábula do escritor libanês Mikail Naaimé pode ilustrar bem o perigo de seguir os métodos dos outros, por mais nobres que pareçam ser: Precisamos nos libertar da escravidão em que o homem nos mantém, disse um boi aos seus companheiros.
Durante anos, escutamos os seres humanos dizendo que a porta da liberdade está manchada com o sangue dos mártires. Vamos descobri-la e entraremos ali com a força dos nossos chifres.
Caminharam durante dias e noites pela estrada, até que viram uma porta toda manchada de sangue. Eis a porta da liberdade, disseram. Sabemos que nossos irmãos foram sacrificados aí. Um a um, os bois foram entrando. E só lá dentro, quando já era tarde demais, foi que se deram conta: era a porta do matadouro.
Decidindo o destino alheio
Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto e lhe deu água. Sou o anjo da morte e vim buscá-lo, disse o anjo. Mas, como você foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; você pode alterar o que quiser.
O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: estas pessoas não merecem coisas tão boas, pensou. De caneta em punho, começou piorar a vida de cada um.
Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trágico, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.
E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.
paulo@paulocoelho.com.br
