segunda-feira, 3 de julho de 2017


03 de julho de 2017 | N° 18887
MUNDO

Trump divulga sequência na qual “derruba” a rede CNN

IMAGENS SÃO VERSÃO editada de sequência de atração de luta livre na TV em 2007

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou ontem no Twitter um vídeo em que aparece batendo e derrubando uma pessoa com o logotipo da rede CNN no lugar do rosto. Trata-se do mais recente episódio da guerra de Trump contra a mídia americana.

O vídeo postado por Trump é de um espetáculo real de 2007, ocorrido em uma arena de luta livre, quando Trump, então uma estrela da TV, levou o dono da WWE (empresa que promove shows de luta livre), Vince McMahon, ao chão no programa Batalha dos Bilionários. O vídeo, porém, foi editado com o logotipo da CNN no lugar do rosto de McMahon.

O vídeo termina com uma imagem semelhante ao logotipo da CNN, mas com a sigla FNN – traduzida como Fraud News Network (“Rede de Notícias Fraudulentas”) –, o último apelido de Trump para um dos seus alvos de mídia mais frequentes. O canal de televisão respondeu e disse que é “um dia triste quando o presidente dos Estados Unidos incentiva a violência contra repórteres”.

O alvo mais constante de Trump vinha sendo a rede CNN, que, na última semana, tirou do ar uma reportagem na qual afirmava que o Congresso estaria investigando um “fundo de investimento russo com laços com funcionários de Trump”. De acordo com a emissora, a reportagem, que citava uma fonte anônima, não estava dentro de seus padrões editoriais. Três jornalistas ligados à reportagem se demitiram.

Também no sábado, Trump disse: “Estou extremamente satisfeito de ver que a CNN finalmente foi exposta como #fakenews (notícia falsa) e jornalismo lixo. Já era hora”.

“Quem imaginava que isso poderia acontecer de novo?” Inevitavelmente, a pergunta guiou o reencontro de 50 exmembros do Comitê do Watergate no Senado no último dia 17, no prédio-símbolo do escândalo, 45 anos após a eclosão do caso que levou à queda do presidente Richard Nixon (1969-1974).

Entre os ex-assessores, não havia dificuldades em apontar as semelhanças entre as investigações sobre uma possível interferência russa nas eleições de 2016 – e o envolvimento de membros da equipe do presidente Donald Trump –, e o caso sobre o qual se debruçaram há mais de quatro décadas. Um deles era o advogado Rufus Edmisten, 75, responsável por levar à Casa Branca, em julho de 1973, a intimação para que Nixon entregasse as gravações de suas conversas no Salão Oval.

– Sempre achei que viria um novo Watergate, mas não com tantas semelhanças assustadoras – disse o ex-assessor.

Edmisten era o vice-conselheiro-chefe do Comitê do Watergate no Senado e o braço direito do senador democrata Sam Ervin, que presidia o comitê junto com o representante da minoria republicana, Lowell P. Weicker. Seu papel era variado, indo desde pré-sabatinar as testemunhas antes da audiência no comitê até cuidar das credenciais de imprensa.

Hoje, Edmisten, que é sócio num escritório de advocacia na Carolina do Norte, compara o comportamento dos dois presidentes republicanos frente aos escândalos.

– Como Nixon, Trump parece acreditar que o Executivo tem mais poder do que o Legislativo e o Judiciário – diz. – Os dois também demitiram pessoas importantes relacionadas às investigações: Nixon retirou o procurador especial do caso (Archibald Cox), Trump, o (diretor do FBI James) Comey.

WASHINGTON
PRESIDENTE X MÍDIA
ATAQUE À MSNBC

Nos últimos dias, o presidente dos EUA parece ter declarado guerra à imprensa e aos jornalistas
-Na quinta-feira, pouco depois de Mika Brzezinski, âncora do programa Morning Joe, na MSNBC, dizer que Trump estava mentindo na internet sobre uma reportagem do The New York Times, o presidente usou o Twitter para chamar Bzezinski de “louca de baixo QI” e Joe Scarborough, seu colega de bancada, de “maluco”.

-O presidente disse que recusou um convite para se juntar aos dois no Réveillon, quando tentaram entrevistá-lo em seu resort na Flórida e “ela sangrava horrores (por causa) de um facelift (plástica no rosto)”.

A RESPOSTA DA REDE

-No dia seguinte, os jornalistas da MSNBC rebateram os ataques. Durante o programa, eles afirmaram que o comportamento de Trump é “assustador e muito triste para os Estados Unidos”.
A TRÉPLICA

-No sábado, Trump voltou à carga contra a dupla Scarborough e Brzezinski. “O louco Scarborough e a burra como uma pedra Mika não são más pessoas, mas seu programa de baixa audiência é dominado pelos chefes da NBC”.