quarta-feira, 5 de julho de 2017


05 de julho de 2017 | N° 18889
LITERATURA

Um mistério regado a sexo, vinho e parrillada

TAILOR DINIZ LANÇA hoje o romance Noite Adentro, que conclui série ambientada na divisa entre Brasil e Uruguai

Regiões de fronteira costumam mesclar idiomas, fundir costumes e guardar mistérios. São locais de passagem às vezes de mercadorias e pessoas fora da lei , repletos de histórias. É um entrevero brabo, como dizem os gaúchos que vivem na linha que divide o Brasil com o Uruguai. E é sobre essa linha que o escritor Tailor Diniz buscou inspiração para o tríptico Fronteiras e Sombras, que chega ao fim agora, com o romance Noite Adentro, depois de A Superfície da Sombra (2012), há pouco adaptado para o cinema, e Em Linha Reta (2014), semifinalista do prêmio Oceanos.

O novo livro será lançado hoje, às 19h30min, na Saraiva do Moinhos Shopping (Olavo Barreto Viana, 36). Na trama, o protagonista Antonio Messias deixa o Brasil e se hospeda na casa de Inácio Aremendía, ex-colega de faculdade e de militância que vive em Castillo Blanco, cidade fronteiriça uruguaia criada por Tailor Diniz. Messias carrega consigo algum segredo, foge de algo, mas pretende voltar para casa “assim que a poeira baixar do outro lado”. Já Aremendía se abriga em uma construção em escombros e leva uma vida oculta, ligada ao crime.

Os personagens se encontram em uma noite na qual Aremendía descobre que amigos seus foram mortos, e a dupla se envolve em uma trama de mistério, regada a sexo, vinho e parrilladas. A narrativa se desenvolve com agilidade, em uma aventura que dura 12 horas.

Embora o autor não tenha crescido em uma região fronteiriça, já que é natural de Júlio de Castilhos, os cenários e personagens são convincentes e envolvem o leitor.

– Desde a infância, tenho fascínio pela fronteira. Um senhor trazia de lá bugigangas para vender na minha cidade. Era um ótimo contador de histórias. A gente não tinha televisão nem internet, então aquelas histórias é que me faziam sonhar e me divertiam – lembra Diniz.

Além de ter ouvido relatos na infância e realizado viagens na vida adulta, o escritor compôs a visão que tem da região a partir da literatura, tendo como uma das referências a obra de Aldyr Garcia Schlee.

– A diferença é que Schlee é alguém que escreve de dentro da fronteira, enquanto eu tenho essa visão exterior, de quem chega – compara Diniz.

IDA E VOLTA À FRONTEIRA

Apesar do tríptico Fronteiras e Sombras ter se completado, o autor deve seguir usando a Fronteira Sul como cenário. No próximo ano, deve lançar Só os Diamantes São Eternos, que também tem cenas em cidades parecidas com Castillo Blanco.

Além de ponto de partida, a região às vezes se torna ponto de chegada da obra de Diniz. Em abril, a adaptação cinematográfica de A Superfície da Sombra estreou em um telão a céu aberto na divisa entre Chuí e Chuy, onde cenas foram captadas.

– A tela ficou do lado brasileiro, e o público do lado uruguaio. Toda aquela gente começou a se misturar e a aplaudir quando reconhecia algum lugar mostrado no filme. Foi de lavar a alma – lembra o autor.


ALEXANDRE LUCCHESE | ALEXANDRE.LUCCHESE@ZEROHORA.COM.BR